:: Sintec-ES 21 anos de luta e de história ::
1978...Tempo de profundo descontentamento popular...Greves no ABC paulista incentivam trabalhadores de outros estados... Cresce o movimento trabalhista e sindical no Brasil... Ato Institucional N.5 (AI5): Instrumento político que dera ao regime poderes absolutos para banir movimentos contestadores de qualquer ordem...
Foi nesse contexto, quando o Governo Federal passou a mediar um pouco menos a relação entre empresários e trabalhadores, que o reconhecimento de associações e sindicatos começou a se firmar, garantindo benefícios mútuos, resolvendo os conflitos trabalhistas, servindo de interlocutores entre empresa e trabalhador que surge, no Espírito Santo, o movimento dos técnicos de nível médio.
O Téc. Industrial em Eletrotécnica Luiz Carlos Oliveira lembra bem dessa época. Responsável pela criação, em 1978, da Associação Civil de Técnicos Industriais de Nível Médio (Actinime), ele conta que naquele tempo o mercado absorvia bem o trabalho dos profissionais da área técnica. "Eles obtinham bons rendimentos financeiros, porém, ofereciam pouca contribuição à comunidade. O momento político e o regime militar castravam toda e qualquer consciência social". Neste período, todas as entidades e instituições do país buscavam a criação de movimentos e a abertura política. Luiz Carlos aproveitou a oportunidade para desenvolver um trabalho de politização dos técnicos de nível médio, além de iniciar a luta pela regulamentação da categoria.
Outro motivo para a criação da associação foi, segundo ele, a necessidade de criar no Estado uma organização que envolvesse e apoiasse os profissionais após a formação na escola técnica. O Grêmio Rui Barbosa, composto por estudantes da então Escola Técnica Federal do Espírito Santo (Etfes) - hoje Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo (Cefetes) - teve participação importante nesse processo, contribuindo para os trabalhos de formação política dos técnicos. "O Grêmio sempre apoiava as campanhas de regulamentação profissional, organizando abaixo-assinados entre os estudantes. Tudo para que as reivindicações pudessem ser enviadas para Brasília. Era necessário cumprir esse papel inicial", recorda.
No início nada foi fácil para o movimento, que subsistia precariamente. Cerca de dez pessoas permaneciam na linha de frente da Associação, que funcionava numa sala alugada, na Ilha de Santa Maria, em Vitória. Mais tarde, a Associação passaria por momentos complicados: Fixou-se em sala alugada na Avenida Jerônimo Monteiro, no centro da capital; depois na Associação de Moradores da Ilha de Santa Maria, de onde foi despejada pela Polícia Federal; e novamente na Ilha de Santa Maria, na residência de Luiz Carlos. A fundação da Associação ocorreu com muita dificuldade, sendo necessário lançar um "livro de ouro" para arrecadar verbas dos simpatizantes da causa.
Antes mesmo de completar um ano de atividades, os diretores da organização, ao procurar o Ministério do Trabalho, tomaram conhecimento de que a profissão de técnico de nível médio ainda não era regulamentada. Teve início então uma nova batalha. A primeira medida adotada foi a participação, em 1979, de uma audiência pública, em Brasília, com o Presidente da República João Batista Figueiredo. A partir daí a Associação passou a se dedicar à busca da regulamentação profissional. Os técnicos agrícolas também entraram na luta para fortalecer o movimento . A inserção desta categoria forçou uma mudança de nome da entidade. A Actinime se tranformou em Associação Profissional dos Técnicos Industriais e Agrícolas do Estado do Espírito Santo (Aprotiaes).
Movimento Nacional
A luta pela regulamentação profissional dos técnicos ganhava força em outros estados (as primeiras ações surgiram em SP, BA, CE, PR e ES). Em terras capixabas, no final da década de 70, devido a pressões externas, os profissionais da área agrícola abandonaram a Associação, que mais tarde se transformaria no Sindicato dos Técnicos Industriais de Nível Médio no Estado do Espírito Santo (Sintec-ES).
Devido sua participação política na liderança da Associação, Luiz Carlos sofreu represálias no início dos anos 80, o que lhe rendeu a demissão do Departamento de Edificações e Obras (DEO), órgão do Governo. A ação não o impediu de continuar o projeto que, segundo ele, nunca foi atrelado a partidos políticos.
Entre as principais conquistas destacadas por Luiz Carlos durante seu trabalho à frente da Associação, ele destaca a contribuição para a politização da categoria e o "ponta-pé" inicial para a regulamentação da profissão. "Eu joguei a semente e, hoje, os profissionais já colhem os bons frutos", diz orgulhoso.
Apesar de hoje estar distante da atuação do Sintec-ES, Luiz Carlos reconhece que os técnicos conquistaram voz, respeito e espaço. "Parece que os profissionais de nível médio estão bem competentes na relação com o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), e isso é importante para a categoria", afirma.
Sobre a criação de um Conselho próprio, ele diz que se for preciso utilizar esse meio para alcançar o respeito às atribuições profissionais e a autonomia plena, a medida é importante, apesar de considerar que prefere optar por ações que não ofereçam discórdia e desavenças e que tragam desenvolvimento para o ser humano, como o respeito entre as partes envolvidas.
Atualmente Luiz Carlos atua no Cecun - Centro de Estudos da Cultura Negra do Espírito Santo, entidade que ajudou a fundar, em 1983, cujas atividades envolvem a realização de cursos de capacitação de educadores sobre a história, a cultura, a contribuição e a participação do negro na formação e construção do Brasil.
Presidentes do Sintec-ES
Paulo Ronaldo Martins Rangel – julho/1988 a agosto/1989.
Paulo Ronaldo Martins Rangel – 19/08/1989 a 19/11/1996.
Carlúcio Nunes Martins – 20/11/1996 a 18/08/2001.
Miguel Antonio Madeira da Silva Araújo – 19/08/2001 a 19/03/2004.
Kepler Daniel Sérgio Eduardo – 20/03/2004 a 18/08/2007.
Momentos importantes - ANOS 80
4/07/1985 Assembléia Geral Extraordinária que elegeu por unanimidade de votos a diretoria e o programa de gestão do triênio 1985/87 da Aprotiaes.
17/03/1986 Assembléia Geral Extraordinária que tratou de assuntos relacionados a Escelsa. Em pauta, a questão da periculosidade e da proposta de acordo salarial para a empresa.
4/11/1987 Em reunião liderada pelo secretário da Aprotiaes, Téc. Ind. em Mecânica Paulo Rangel, foi aprovada a retomada da organização e a transformação imediata da Associação em Sindicato.
8/06/1988 43 associados da Aprotiaes se reuniram em Assembléia Extraordinária para transformar oficialmente a Associação em Sindicato. Foram 41 votos a favor, um contra e um em branco. Foi eleita por unanimidade (regime de voto secreto) a diretoria provisória do Sindicato e aprovados o Estatuto Social e o nome “Sindicato dos Técnicos Industriais de Nível Médio no Estado do Espírito Santo”.
20/07/1988 Certidão da DRT-ES atesta que a diretoria provisória pede investidura sindical da Aprotiaes.
19/08/1988 Ministério do Trabalho homologa a carta sindical.
5/09/1988 Reunião para discutir questões ligadas a filiação. A idéia era mobilizar os profissionais para uma participação mais efetiva na entidade de classe.
24/01/1989 Reunião para discutir imposto sindical, finanças da entidade e a publicação do edital de convocação para a eleição da diretoria definitiva do Sindicato.
10/03/1989 Comunicado ao Crea-ES sobre a transformação em Sindicato. Reivindica-se o direito dos técnicos industriais registrados no Conselho de exercerem suas funções e também a emissão das carteiras profissionais.
24/04/1989 Em Assembléia Geral Extraordinária é aprovado o Estatuto Social.
31/05/1989 Registro em cartório do Estatuto Social do Sintec-ES, dando personalidade jurídica à entidade.
18/08/1989 Posse solene do sistema diretivo do Sintec-ES para a gestão 1989/92.
22/09/1989 Emitida Certidão da DRT-ES com o registro da diretoria do Sintec-ES eleita em 4/08/1989, com mandato até 18/08/1992.
28/09/1989 Registro do 1º Acordo Coletivo de Trabalho do Sintec-ES. O acordo foi com a empresa Exacta Engenharia de Projetos S/A e contou com a parceria do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Espírito Santo (Senge-ES).
1º/11/1989 Assinatura do primeiro convênio do Sintec-ES com uma empresa para arreca-dação de anuidade sindical dos profissionais em folha de pagamento. O acordo foi selado com a CVRD.
“Está nascendo o sindicato dos técnicos industriais”
O ano era 1987. Um grupo de profissionais toma a iniciativa de transformar a Associação Profissional dos Técnicos Industriais e Agrícolas do Estado do Espírito Santo (Aprotiaes) no Sindicato dos Técnicos Industriais de Nível Médio no Estado do Espírito Santo (Sintec-ES).
Essa proposta foi definida, mais precisamente, numa reunião ocorrida no dia 4 de novembro de 1987. O espaço democrático foi coordenado pelo Téc. Industrial em Mecânica Paulo Ronaldo Martins Rangel, que acreditava na criação da entidade sindical como alternativa para reto-mar e reativar os trabalhos do movimento em prol da categoria, tendo em vista as ações dispersas e o período de estagnação ao qual estava submetida a Associação naqueles últimos anos.
Após um amplo debate, questionamentos e alguns posicionamentos contrários, a proposta foi aprovada. Na oportunidade, deliberou-se pela formação e manutenção de um grupo de trabalho que acompanharia todas as atividades da fase de transição. O grupo ficou responsável por cuidar das questões legais e de documentação, arregimentar novos sócios, divulgar folhetos em locais de movimentação de profissionais da área, verificar e administrar a situação financeira da entidade, além de divulgar informes em jornais direcionados a categoria.
Oficialmente, a decisão de transformar a Associação em Sindicato ocorre no dia 8 de junho de 1988. Numa Assembléia Geral Extraordinária, do total de 43 associados da Aprotiaes, 41 foram favoráveis ao pedido de investidura sindical da Associação junto ao Ministério do Trabalho. A decisão contou com um voto contrário e um voto em branco.
Em regime de voto secreto foi eleita, por unanimidade, a diretoria provisória do Sintec-ES, que ficaria responsável pela formulação do processo e seu encaminhamento para as autoridades competentes. O nome do Sindicato, sugerido em atendimento ao enquadramento sindical na Confederação Nacional das Profissões Liberais, também foi colocado em votação e aprovado.
Em menos de um ano, Paulo Rangel reuniu documentos, liderou um trabalho que culminou na transformação da Associação em Sindicato e foi eleito presidente da nova entidade. A partir daí, uma nova tarefa teria que ser cumprida, a de informar a categoria sobre a existência do Sindicato e de motivar os técnicos para uma participação mais efetiva.
O grupo da linha de frente se empenharia na campanha do imposto sindical e na elaboração de um manifesto que seria dirigido aos profissionais da área, além de acompanhar e equilibrar as finanças da entidade e convocar os associados para a eleição da diretoria definitiva, que tomaria posse no dia 4 de agosto de 1989 com mandato até 18 de agosto de 1992.
Ainda na primeira gestão de Paulo Rangel, o Sintec-ES comunica ao Crea-ES, no dia 10 de março de 1989, a transformação da Associação em Sindicato, efetivada por meio da carta sindical homologada pelo Ministério do Trabalho, em 19 de agosto de 1988, sob o código nº 012.000.49529-1, como entidade sindical de 1º grau e publicada no Diário Oficial da União no dia 25 de agosto de 1988.
No mesmo ofício, com a finalidade de dinamizar a atuação do Sintec-ES junto aos seus associados, foi reivindicado o cumprimento da Lei 5.524/68 e do Decreto 90.922/85 que conferem aos técnicos registrados no Crea-ES o direito de exercerem suas respectivas funções e de receberem as devidas carteiras profissionais.
A personalidade jurídica do Sintec-ES é adquirida em 1989, com o registro em cartório do Estatuto Social, também aprovado por unanimidade pelos membros da entidade. O trabalho de elaboração do estatuto foi realizado em várias reuniões ordinárias da diretoria, que eram abertas aos associados interessados em colaborar. O objetivo era atender às necessidades fundamentais técnica, administrativa e democrática do Sindicato para que o mesmo pudesse desenvolver um trabalho efetivo de defesa e avanços técnicos industriais aqui no Estado.
Sempre com o apoio de profissionais da área, a gestão de Paulo Rangel foi marcada pelo início de uma série de conquistas, que se concretizariam nos anos seguintes: a aquisição, com ajuda financeira de seus diretores, da primeira sede própria da entidade, localizada na Vila Rubim, Centro de Vitória; e, dois anos depois, a compra de três salas no Edifício Ouro Verde, também no centro da capital.
O primeiro presidente do Sintec-ES relata que naquele período a principal luta da Associação não era sindical, mas sim contra o Sistema Confea/Crea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia e Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Espírito Santo), instituições legalmente instituídas para registrar os profissionais da área tecnológica. "O Sistema não respeitava a Lei 5.524/68 e o Decreto 90922/85, que regulamentam as profissões dos técnicos", diz Rangel. Ele também conta de forma bem humorada que, ao se aproximar dessas instituições para lutar pelos direitos da categoria, chegou a conquistar um posto apelidado por ele de "conselheiro denorex", emprestando uma boa metáfora em referência a propaganda comercial de um xampu anti-caspa, lançado na década de 80, que tinha como bordão a frase "parece, mas não é". Segundo Rangel, a função do cargo era representar os técnicos do Espírito Santo no Confea. Mas esta era uma representação simbólica, com pouco poder de decisão e interferência nas ações do Sistema.
Lutas, greve e reivindicações
A primeira luta sindical, de teor de sindicato de base, ocorreu contra uma empresa na área de projetos, que prestava serviço para a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) e a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Os trabalhadores, que reivindicavam reposição das perdas salariais, obtiveram várias vantagens como reajuste salarial e benefícios.
O primeiro acordo coletivo de trabalho do Sintec-ES, inscrito na Delegacia Regional do Trabalho do Espírito Santo, foi registrado em 28 de setembro de 1989, com a empresa Exacta Engenharia de Projetos S/A. A ação foi desenvolvida em parceria com o Sindicato dos Engenheiros no Estado do Espírito Santo (Senge-ES).
Paulo Rangel assume sua segunda gestão na presidência da entidade e entre o final da década de 80 e início da década de 90, o Sindicato intensifica seu relacionamento com empresas, instituições de ensino e órgãos de classe: no dia 1º de novembro de 1989 firmou o primeiro convênio que possibilitou a arrecadação da anuidade sindical na folha de pagamento de uma empresa, nesse caso a CVRD; No dia 19 de abril do ano seguinte, visando uma maior aproximação com a então Escola Técnica Federal do Espírito Santo (Etfes), o Sindicato indicou os nomes dos técnicos industriais Paulo Ronaldo Martins Rangel e Telmo Lopes Sodré Filho, ex-alunos da Etfes e membros do Sintec-ES, para integrarem o Conselho Técnico Consultivo da instituição federal de ensino; e em junho de 1990, com outros cinco sindicatos do país, o Sintec-ES contribui para a criação da Federação Nacional dos Técnicos Industriais (Fentec).
Os técnicos industriais também fizeram questão de participar dos órgãos representativos da classe e já no final de 1990, em novembro, foram indicados representantes para ocupar assentos em Câmaras Especializadas do Crea-ES.
Lutas obstinadas também não faltaram na história da entidade. Em novembro de 1990, a mira era a Escelsa (Espírito Santo Centrais Elétricas S/A) que mereceu nota de repúdio do Sintec-ES devido as atitudes "arbitrárias e fascistas" cometidas pela diretoria da empresa contra seus trabalha-dores. Segundo o presidente Paulo Rangel, a Escelsa perseguia e punia as lideranças sindicais. A manifestação foi encaminhada ao Governador do Estado do Espírito Santo, na época o Sr. Max de Freitas Mauro.
Outro fato que marcou o movimento sindical da entidade foi a primeira greve conduzida pelo Sintec-ES. Em 1º de fevereiro de 1991, o Sindicato enviou ofício à Exacta Engenharia de Projetos S/A fazendo uma notificação de greve. Os funcionários da empresa paralizariam as atividades por prazo indeterminado a partir do dia 5 de fevereiro de 1991 em protesto às radicalizações da empresa diante das negociações trabalhistas. No documento encaminhado à empresa, a entidade ressaltou o fato de que o reajuste concedido pela empresa desde a decretação do Plano de Estabilização Econômica (Plano Collor), era considerado um verdadeiro escravismo, representando total falta de respeito aos funcionários. Na notificação de greve, o Sindicato solicitava soluções rápidas e plausíveis por parte da empresa.
Um outro momento importante na trajetória do Sintec foi a aprovação por unanimidade da filiação do Sindicato à Central Única dos Trabalhadores (CUT), ocorrida em 26 de abril de 1995. O assunto foi discutido em Assembléia Geral Extraordinária. Além dos profissionais e membros da diretoria do Sindicato, participaram da reunião o representante da CUT, Mauro Ferreira de Resende e o representante da Fentec, Sérgio Chautard. Durante os debates, foi esclarecido que a filiação do Sintec a uma Central Sindical já vinha sendo discutida no âmbito da diretoria da entidade e que naquele ano o assunto também havia sido levado aos associados por meio de pesquisa e plebiscito cujo resultado mostrou que 90% das respostas eram favoráveis à filiação à CUT.
Hora de parar
Rangel, que foi demitido após 20 anos de trabalho na CVRD (de 1975 a 1995), está aposentado e atualmente se dedica a pesca em Nova Viçosa, Sul da Bahia. Ele aponta a militância sindical como principal pivô de sua demissão.
Ao falar das ações realizadas na entidade, ele relembra um dos momentos mais difíceis de sua gestão, quando o Sindicato dos Ferroviários do Espírito Santo e Minas Gerais (Sindifer ES/MG), sindicato de base dos ferroviários, abriu oposição firme ao Sintec-ES não aceitando que a entidade participasse da negociação salarial dos trabalhadores da CVRD. "Membros do Sindifer chegaram a queimar os jornais do Sintec que estavam sendo distribuídos na porta da empresa", conta.
Paulo Rangel, que ocupou a presidência da entidade por duas gestões, pediu licença por tempo indeterminado do Sindicato no dia 19 de novembro de 1996, deixando o cargo para o Téc. Industrial em Edificações Carlúcio Nunes Martins, até então vice-presidente do Sintec-ES.
Momentos importantes - ANOS 90
19/04/1990 O Sintec-ES indica os técnicos industriais Paulo Ronaldo Martins Rangel e Telmo Lopes Sodré Filho, para integrarem o Conselho Técnico Consultivo da então Escola Técnica Federal do Espírito Santo (ETFES).
1º/06/1990 O Sintec-ES comunica a Fentec a aprovação, por unanimidade, da filiação do Sindicato na Federação.
9/11/1990 É enviado ao Crea-ES um ofício indicando os representantes do Sindicato para ocupar assentos nas Câmaras Especializadas do Conselho, até então composta apenas por profissionais de nível superior.
14/11/1990 É enviado ofício ao Governo do Estado, manifestando repúdio às atitudes "arbitrárias e fascistas" cometidas pela diretoria da Escelsa com seus trabalhadores. O Sindicato alegou que a Escelsa mantinha atitudes claras de perseguição e punição às lideranças sindicais. O Senge-ES é convidado a contribuir na luta para que essa situação não continue.
1º/02/1991 Primeira greve conduzida pelo Sintec-ES. A Exacta Engenharia de Projetos S/A foi comunicada sobre a paralização das atividades por prazo indeterminado (a partir de 5/02/1991) em protesto às radicalizações da empresa nas negociações.
19/08/1992 Posse da Diretoria Administrativa do Sindicato para o mandato 1992/95. A ata de posse foi arquivada na DRT-ES em 9/10/1992.
21/07/1994 É sancionada a Lei Nº 4.954 que institui a data 23 de setembro como sendo o “Dia Estadual do Técnico Industrial”.
26/04/1995 Em Assembléia, é aprovada por unanimidade, a filiação do Sintec-ES à Central Única dos Trabalhadores (CUT). A medida teve como base uma pesquisa e plebiscito com os sócios em que 90% das respostas foram favoráveis à filiação.
19/08/1995 Posse da Diretoria Administrativa do Sindicato para o período de 1995/1998.
19/11/1996 O então presidente do Sintec-ES, Téc. Industrial em Mecânica Paulo Rangel, pede licença por tempo indeterminado do Sindicato. Entre os motivos, a sua aposentadoria na CVRD. Por unanimidade, após vários debates, assume o então vice-presidente, Téc. Industrial em Edificações Carlúcio Nunes Martins.
02/07/1998 Tribunal Regional do Trabalho (17ª Região) expede mandado de reintegração de um dos diretores do Sintec-ES demitido pela CST.
19/08/1998 Posse da Diretoria do Sindicato para o período de 1998/2001.
Grandes eventos, equilíbrio nas contas e ampliação de atribuições
O Sintec-ES começou o segundo semestre de 2001 com novo presidente, o Téc. Industrial em Metalurgia Miguel Antônio Madeira da Silva Araújo, lembrado pelos profissionais por ter aberto novas frentes de atuação do Sindicato, principal-mente dentro do Crea-ES.
Sua gestão também foi marcada pela incansável luta pelo reconhecimento das atribuições legais dos técnicos industriais de nível médio. "Durante os dois anos e meio de mandato, ocupamos uma das cadeiras da diretoria do Crea e articulamos a atuação no Conselho, principalmente na ampliação das atribuições dos técnicos industriais", relembra o ex-presidente.
A preocupação com as despesas e o rígido controle das receitas da entidade também merece destaque. "O controle foi possível a partir da construção do orçamento, onde definimos as despesas e os valores previstos para o ano. Tudo acompanhado com seriedade, mês a mês. Este procedimento perdurou todo o mandato", afirma Miguel.
Atualização e Reciclagem Profissional
Durante sua gestão, que durou até 2004, foram realizados pelo Sindicato três eventos importantes, capazes de reunir um número considerável de técnicos industriais e estudantes da área. “A idéia era facilitar a reciclagem e a atualização profissional. Produzimos dois grandes seminários. No primeiro, contamos com 450 inscritos; e, no segundo, 900 inscritos, um recorde de público. O terceiro evento comemorou os 15 anos da entidade e contou com a participação de cerca de 200 profissionais e estudantes", disse.
Para realizar esses eventos, com baixo custo para o Sindicato, foi realizada uma busca intensa por apoio e patrocínio. O Sistema Confea/Crea e empresas privadas do estado foram parceiros.
A temática dos eventos variou entre Mercado de Trabalho, Meio Ambiente e Registro de Patentes. A entidade também demonstrou interesse em apoiar atividades culturais envolvendo profissionais da área técnica industrial. Exemplo disso foi o aniversário do Sindicato, que foi prestigiado com o lançamento do CD do cantor e compositor João Pimenta, que é capixaba e Téc. Industrial em Eletrotécnica.
Convênios e parcerias também fizeram parte do programa de gestão de Miguel Madeira. Ele relata que ao assumir a presidência, passou a oferecer, além dos serviços já prestados pela entidade - como participação em acordos e convenções coletivas -, convênios na área de benefícios, e destaca o acordo assinado com a Unimed, empresa da área de saúde. Na ocasião, ampliou-se o número de associados, atendendo principalmente aos profissionais liberais. Além disso, foram intensificados os contatos com as instituições de ensino. "Construímos uma parceria estratégica e vital para o sindicato com o Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo (Cefetes), a partir da indicação de membros da diretoria da Escola no Conselho e Diretoria do Crea, além da realização de eventos em parceria entre as duas instituições", diz.
Ao fazer um balanço sobre sua atuação como presidente do Sintec-ES, Miguel Madeira disse que procurou estabelecer uma relação de respeito entre os diretores do sindicato. A atitude foi focada principal-mente na preocupação de fazer uma transição tranqüila e equilibrada, dando à nova diretoria a oportunidade de assumir uma entidade harmônica nas suas atividades. "O rígido controle orçamentário permitiu que terminássemos o mandato com uma reserva estratégica de re-cursos, o que proporcionou a compra da nova sede, mais bem localizada e equipada para atender de forma adequada e aos associados", concluiu.
Nova estrutura e modernização nos serviços
Estímulo à criação de intersindicais com a participação do Sintec em todas as negociações possíveis entre categorias. Esta foi uma das prioridades assinaladas pelo atual presidente do Sintec-ES, Téc. Ind. em Metalurgia Kepler Daniel Sérgio Eduardo, que tomou posse em 19 de agosto de 2004 (gestão 2004/2007), após ser eleito pela categoria por meio de voto direto.
A nova administração, cuja diretoria teve uma renovação de 60% dos membros, trouxe como metas a integração nacional, regional e municipal; a participação ampla em movimentos sociais; a interiorização da ação sindical; o desenvolvimento de cursos de capacitação; a elaboração do orçamento participativo profissional e a realização de uma campanha de sindicalização.
Kepler reitera a informação do presidente anterior, Téc. Industrial em Metalurgia Miguel Antônio Madeira da Silva Araújo, quando diz que a transição de gestão ocorreu de forma pacífica e legítima. “Quando assumi a presidência do Sindicato, já tínhamos uma sede própria muito bem localizada (Praia de Santa He-lena, região nobre de Vitória), conquista da gestão anterior. Isso nos deu tranqüilidade para avançarmos ainda mais. Adquirimos e reformamos uma segunda sala no mesmo edifício, ampliando a sede e dando mais comodidade e conforto aos nossos associados”, disse o atual presidente.
Duas áreas tiveram atenção fundamental nesse novo período. Considerados estratégicos em qualquer empresa ou instituição moderna, os setores de comunicação e jurídico ganharam espaço dentro da própria sede. Hoje, o Sindicato conta com uma sala para cada um desses setores. Além disso, novos móveis, computadores, softwares, e outros equipamentos dão suporte e agilidade a todos os trabalhos desenvolvidos pela entidade. "Desde fevereiro de 2005 o Sindicato conta com o serviço, em tempo integral, de dois advogados, colocando à disposição da categoria serviços de orientação e assistência jurídica. Com isso, os resultados também começaram a aparecer mais rápido. Como exemplo temos várias vitórias em ações de aposentadoria especial", afirma Kepler.
A entidade também está se comunicando com mais eficiência, graças aos investimentos feitos no setor de comunicação que, além de sala própria, ganhou computador e outros equipamentos. Um jornalista também foi contratado para produzir, diariamente, a comunicação do Sintec-ES.
Anteriormente, o único canal de in-formação entre o Sindicato e os técnicos industriais era restrito a uma publicação que circulava casual-mente, sem data definida. A partir de junho de 2004, o Jornal do Sintec passou a ter periodicidade bimestral, sendo dirigido regularmente a um público estimado de 3.000 profissionais. Publicações avulsas também são geradas pela entidade. Em ocasiões especiais são confeccionados informativos impressos específicos e direcionados para profissionais de determinadas empresas, tratando de assuntos relacionados a acordos coletivos e a convenções de trabalho. Essa edição da Revista Cenário Técnico, lançada em comemoração aos 18 anos de atividades do Sintec no Estado, é mais um produto de comunicação que promete para os próximos anos ter sua periodicidade regularizada.
Outra inovação da atual diretoria é a adoção de meios eletrônicos de comunicação. A entidade envia semanalmente um boletim eletrônico aos profissionais e outros públicos formadores de opinião.
Em 2005, foi criado o site da entidade. No www.sintec-es.com.br é possível acessar estatuto, acordos, convênios, programação de cursos, obter informações na área de legislação além de outras opções de serviços. A medida funciona como instrumento de aproximação dos profissionais representados pela entidade, firmando o ideal de valorização profissional presente na visão da nova gestão. Um dos resultados é o aumento do número de sócios, ocorrido no último ano.
Kepler destaca ainda, como conquistas, a realização de treinamento de funcionários, a contratação de estagiários e a consolidação de benefícios nos acordos, convenções coletivas de trabalho e participação nos lucros e resultados de algumas empresas da área. Durante os biênios 2004/2005 e 2005/2006, o Sintec-ES conquistou para a categoria o melhor índice de reajuste salarial do país, diante das empresas de engenharia e arquitetura consultiva. "Agora estamos nos empenhando para participar de negociações junto a sindicatos majoritários", anuncia Kepler.
Os convênios que já vinham sendo realizados também foram ampliados, se estendendo para as áreas de ensino, saúde e lazer. Outra indicação de que o Sindicato esta cada vez mais inserido nas questões políticas e sociais foi a criação, em 2004, do Fórum Político dos Técnicos Industriais. "Esse fórum tem o propósito de apresentar aos partidos e candidatos a cargos públicos temas de interesse da categoria, como mercado de trabalho, ensino técnico e atribuições profissionais, para que os mesmos sejam inseridos nos programas de governo", declara.
Kepler também faz questão de anunciar que durante os últimos anos houve acréscimo nos investimentos, sem comprometer a receita do Sindicato. "Já existia um planejamento orçamentário, mas nesta gestão inserimos o orçamento participativo, onde discutimos com a categoria o quanto e em que vamos investir. Qualquer gasto fora do orçamento tem que ter a autorização do sistema diretivo do Sindicato". Para o presidente do Sintec-ES, apesar dos avanços, as bandeiras de luta ainda são as mesmas e estão aguardando a aprovação dos poderes públicos. A entidade continua perseguindo a meta de criação de um conselho próprio, cujo projeto está tramitando na Câmara Federal, e da aprovação do piso salarial para os técnicos industriais de nível médio, em trânsito no Senado Federal desde 17 de junho de 2005.
Kepler, que é funcionário da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), avalia como positivo o trabalho desenvolvido por ele e pelo atual grupo que gere as ações do Sindicato. "A diretoria tem participado efetivamente de todas as decisões do Sindicato, buscando construir uma entidade cada vez mais forte e combativa na defesa dos nossos direitos sociais e trabalhistas", finaliza.
Momentos importantes - ANOS 2000
19/03/2004 Remanejamento da Diretoria Executiva, com a renúncia espontânea do presidente, Téc. Ind. em Metalurgia Miguel A. Madeira da Silva Araújo. Em seu lugar assume o vice-presidente, Téc. Ind. em Metalurgia Kepler Daniel Sérgio Eduardo.
6/06/2004 O Sintec-ES conquista a assinatura do primeiro acordo coletivo de participação nos lucros e resultados.
19/08/2004 Posse do atual Sistema Diretivo do Sintec-ES para a gestão do triênio 2004/2007.
24/01/2006 Pela primeira vez um Técnico Industrial ocupa o cargo de vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES). Trata-se do Téc. Industrial em Agrimensura Aloísio Carnielli.